O que visitar nos Picos da Europa, na Espanha

Em 2018 o Parque Nacional dos Picos da Europa, no norte da Espanha, completava 100 anos. E, sem saber, participei da festa de cumple como parte da programação da viagem em van, pelo norte da Europa, que fiz com outras duas amigas. Essa cadeia montanhosa que faz parte da Cordilheira Cantábrica – e abrange os estados da Cantábria, Astúrias e Castilla y León – foi reconhecida pela Unesco como Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade, em 2003. Título mais do que merecido!

Ao viajar pelas estradas que cortam as montanhas, lembrei das 765 curvas que levam Chiang Mai a Pai, na Tailândia. Climas opostos, vegetação oposta, mas a beleza é igualmente estonteante. Aqueles momentos de contemplação que te fazem perder a noção de tempo e espaço. Pelos Picos da Europa, ainda tem o ingrediente especial de passar por povoados como Sotres e pelos microtúneis que dão todo um charme a mais.

À bordo da van, silêncio total. Embaladas por Dance Yrself Clean, do LCD Soundsystem, que tocava no fundo, era possível admirar a geografia de rocha calcárea, assistir aos voos de abutres e da águia-real, e imaginar lobos e ursos livres, leves e soltos dentro dos 65 mil hectáres do parque. Uma curiosidade: sabia que aqui vive a camurça? Pois é, a pele curtida desse animal, conhecido também como cabra-montesa, é que deu origem ao nome do material que hoje se refere a qualquer tipo de pele curtida usada para confecção textil.

Voltando aos Picos, o ponto mais alto do parque tem 2,650 metros de altitude – quase a mesma altura do nosso Pico das Agulhas Negras, na divisa entre Rio, São Paulo e Minas – e só é acessível para os que se aventuram com a escalada e, claro, às vezes com muita neve no caminho. Aliás, grande parte dos 2 milhões de turistas que passam por aqui por ano, vem em busca de esportes de montanha. Desde os três pontos de acesso ao Parque, existem alguergues que funcionam como base para a turma que vem fazer trilhas que podem chegar a 12 dias.

Imagem de El País
Visite este site ou este para mais informações sobre as trilhas e rotas para escalada no parque. Tudo em espanhol e assim já vai praticando o idioma!

Além dos esportes de aventura, o parque também é reduto de vida rural, o que inevitavelmente leva a comida e artesanato. Déli! Os típicos queijos cabrales de Astúrias, os embutidos e o caldo de feijão branco com carne de porco da Cantábria, e uma boa Sidra local para acompanhar os dias no meio da natureza montanhosa. Alguém precisa de mais alguma coisa?

Tem história também

Quando a gente fala do velho continente não tem essa de “há 80 anos”, ou “três séculos atrás”… Aqui o buraco é mais embaixo e prova disso é que os historiadores contam que os primeiros registros de atividade humana por essa zona são de 35.000 a 10.000 anos atrás, na Era Paleolítica. E aí nasceram as diversas covas pré-históricas do parque e se fixaram primeiros habitantes.

Muito tempo depois, nos Séculos II e I a.C., chegaram os Celtas. Mais sete séculos para frente na linha do tempo e chegam os árabes, que tem uma importantíssima influencia cultural e histórica para os espanhóis. Entre os bosques e os maciços rochosos do parque, o exército de Dom Pelayo venceu os muçulmanos, na batalha de Covadonga, e abriu um período de 600 anos chamado La Reconquista.

Na Idade Média são fundados os primeiros povoados e construídos os caminhos que dão acesso ao miolo da cordilheira. E foi só em 1918, em comemoração ao 12o. Centenário (ou seja, 1200 anos) da Batalha de Covadonga, que ganhou o título de Parque Nacional da Covadonga, o primeiro parque natural da Espanha. Foi só em1995 que o nome passou a ser oficialmente Parque Nacional dos Picos da Europa, como já era conhecido desde os tempos do Imperador Augusto César.

Um pulinho no Mar Cantábrico…

Para os que se animarem a conhecer os Picos da Europa dou outra notícia maravilhosa: ali do lado está o mar Cantábrico e um monte de vilarejos de praia asturianos. Um pouquinho mais longe, também dá para ver o mar visitando a Praia das Catedrias, na Galícia. Outro espetáculo da natureza! Ay España, como te quiero!

Na página oficial do Parque você encontra mais informações úteis como as rotas, os povoados, as previsões de neve, etc. E se você já esteve por esses lados, compartilha suas dicas aqui com a gente 🙂

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