George Town: mais uma surpresa da Malásia

Você já sabe que escolhi a Malásia como chegada ao sudeste asiático porque a passagem era mais barata, não é? Se ainda não sabe, dá uma olhada aqui no post Kuala Lumpur: uma salada mista. Mas, desde o momento que acrescentei esse país à minha lista de destinos não parei de me surpreender. É tanta cultura/religião misturada que, às vezes, a gente fica até meio tonta – e perdida. Mas, sobrevive! E se encanta.

Depois de Kuala Lumpur, segui pro noroeste do país, com destino a George Town (sim, é assim mesmo, separado). A coisa já começa estranha pelo nome do lugar, afinal, o que esse inglês tá fazendo aqui?! Pois bem, eu explico. A cidade foi fundada pelos britânicos, em 1786, quando a Malásia ainda era uma colônia inglesa. O que interessava ali era o estreito de Malaca (exatamente onde a costa oeste do país está situada), uma importante rota de comércio na época.

George Town é a capital do estado de Penang, um dos menores em dimensão, mas o segundo mais habitado. Outra curiosidade é que, entre os malaios, Pulau Pinang é uma ilha que não é considerada ilha. Isso porque, já faz algum tempo, uma enorme ponte foi construída pra ligar esse estado ao continente. E chegar por essa ponte já é uma atração em si; especialmente pra nós, brasileiros, e te conto porquê.

Penang Bridge
Quando foi inaugurada, em 1985, a ponte com 13,5 km de extensão desbancou o então segundo lugar no ranking de mais extensas do mundo da nossa Rio-Niterói, com 13,29 km. A construção malaia varia de 30m a 100 m de altura em relação ao nível da água, enquanto a nossa tupiniquim alcança 72m em seus pontos mais altos.

Hoje, a ponte que liga as cidades de Seberang Prai, na península malaia, e Gelugor, na ilha de Penang, ocupa o sexto lugar do mundo quando considerada a distância percorrida sobre a água. Já a nossa Presidente Costa e Silva (sim, esse é o nome oficial), que liga a cidades do Rio de Janeiro e Niterói, vem na sequência, no sétimo lugar.

E não é só a importância arquitetônica que faz a viagem sobre a ponte entrar na lista must go. A vista que se tem durante todo o trajeto é linda!

Patrimônio Histórico da Unesco
Já em George Town, aquela mesma mistura que vimos na capital Kuala Lumpur se repete aqui. O centro histórico é de uma riqueza e diversidade tamanhas que a Unesco, em 2008, deu o título de Patrimônio Histórico da Humanidade a esse pedacinho da cidade. Aqui também tem a Little India, a Chinatown, templos hindus e budistas, igrejas, mesquitas e construções de estilo britânico, tudo (des)ordenadamente misturado em suas ruas estreitas e com estruturas baixas.

De novo, o mais bacana por aqui é simplesmente caminhar pelas ruas e observar essa convivência de tanta cultura/religião/raça diferente quase no mesmo espaço. E quase, porque é visível uma delimitação abstrata de cada grupo. Você está em uma rua da Little India e quando vira à esquerda, chegou na China. Se seguir adiante e virar à direita, está na zona muçulmana. Mas, apesar dessa proximidade e tolerância com as diferenças, fica cada um no seu quadrado. Quem transita por todas as zonas somos nós, os turistas.

Arte de rua
Agora vem a cereja do bolo. Você sabia que George Town é considerada uma das capitais mundiais da arte de rua? Não, né?! Nem eu! Tudo começou quando, pra comemorar o título de Patrimônio da Unesco, o governo local convidou o artista Tang Mun Kian pro projeto Making George Town. E em 2009, o centro da cidade estava decorado com diversas obras de ferro fundido que contam um pouco da sua história. Uma graça!

Um pouco depois, em 2012, outro projeto de street art ajudou a transformar a cidade. Dessa vez foi o lituano Ernest Zacharevic e sua obra Mirrors of George Town. Em parceria com o Penang´s Georgetown Festival daquele ano, ele deu uma nova vida a vários muros com obras que misturam pintura, objetos e, como fotos que registram cenas cotidianas, convidam as pessoas a interagir com elas.

Depois dele, veio uma onda de mais e mais artistas que seguem colorindo as ruas da cidade. E, hoje, uma das atrações mais buscadas por aqui é pegar um mapa com os murais e percorrer o pequenito e charmoso centro histórico tentando encontrar cada uma delas. Algumas seguem intocadas, outras já mais desgastadas pelo tempo; umas são mais fáceis de achar, outras estão mais escondidas. O fato é que a tarde brincando de caça à arte de rua é divertida e te leva a ruazinhas encantadoras e com mercados de rua que vendem de tudo, de comida a artesanato local.

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E o encanto de George Town não acaba aqui. A cidade é também considerada a capital gastronômica da Malásia, com sua mescla de cozinhas do mundo todo adaptadas à culinária malaia. Tem ainda os mercados noturnos, os bares com música ao vivo nas regiões de Lebuh Chulia e Love Lane, e muito mais.

Já já tem mais post sobre George Town. Nos vemos!

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