Kuala Lumpur: uma salada mista

Dizem que a Malasia é um caldeirão de culturas e religiões e que, por isso mesmo, é uma entrada mais suave ao Oriente. Bingo! É mesmo. Desde a chegada à capital Kuala Lumpur já dá pra perceber o quão cosmopolita, e muçulmana, e hindu, e chinesa, e moderna e até malaia (?!) é a cidade de 1,6 milhões de habitantes. Arranha-céus ao lado de mesquitas, enormes telas publicitárias de led com as modelos usando burcas, o transporte público incrível e os mega viadutos que desconvidam a andar a pé num lugar em que o mais interessante é o que se vê na rua, o passado e o futuro sempre juntos. Enfim, é uma contradição em forma de cidade.

A cada ano mais e mais viajantes escolhem a Malasia como país de entrada ao sudeste asiático, por motivos mil. No meu caso, foi o bilhete mais barato (ganhava de Bangkok, por onde inicialmente ia chegar). Além do money, o país está situado numa posição interessante:  sul da Tailândia e norte de Singapura, o que te “obriga” a passar por praias e ilhas maravilhosas se você quiser ir por terra/água ao Cambodia, Vietnam, Mianmar ou Laos (ai que difícil!).

Passagem comprada, hora de começar a pesquisa sobre o que fazer, onde ficar, transporte, moeda e esses itens básicos. Nas primeiras buscas, a única coisa que me vinha à cabeça era: “não tô entendendo nada!”. E nas últimas também (rs). Buscava as melhores áreas pra ficar e me aparecia Chinatown; zonas imperdíveis pra passear, e vinha Little India; ponto turístico must go, e insistiam nas modernas Torres Petronas que te lembram mais Hong Kong ou Singapura. Mas, cadê a Malásia em Kuala Lumpur? Está bem aí, nessa mistureba a la água e óleo… E, quer saber? Pra mim, isso é o mais interessante que se encontra por aqui.

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Em vários blogs e matérias que li sobre a cidade, muito se falava que, apesar de ser um país 85% muçulmano, os malaios são super friendly com as diferenças religiosas. E é verdade. Mas, não dá pra negar que, em alguns momentos, sentimos um certo desconforto no ar… Por exemplo, fazia um calor de 35 graus quando estive ali e, claro, usava shorts e camiseta (eu, todos os turistas e uma parte dos locais também). Mas, muitas vezes me vi em situações em que a única mulher do ambiente que não estava de burca ou com calça, manga comprida e veu na cabeça, era eu. Sem véu e de short… Fail! Não que você se sinta desrespeitada, ao contrário, você que se sente “desrespeitando” os costumes locais, completamente descolocada e não vê a hora de sair dali…

E na verdade esse é um pouco do espírito da cidade, essa convivência ao mesmo tempo limitada e integrada. É o que eu levo de mais bacana dessa minha primeira passada por Kuala Lumpur, sem dúvida! Pra resumir um pouco do monte de coisas diferentes que vi ali, fiz uma lista de 11 tópicos com as minhas primeiras impressões e o que mais me chamou atenção na cidade.

1. Três palavras que resumem a cidade: diversidade, religião e contraste.

2. A religião (ou no plural, já que são várias) está no dia a dia da cidade, intensamente e por todos lados.

3. Observar muçulmanos, hindus, budistas e os perdidos (no caso, nozes) convivendo numa boa virou meu passatempo preferido. Observe e delicie-se.

4. Pra quem gosta de fazer tudo a pé, como eu, uma má notícia: em Kuala Lumpur isso é praticamente impossível. Não é nem o tamanho da cidade que assusta, é que ela é desenhada com grandes viadutos de carros e de trens suspensos onde não é possível atravessar. Ou seja, as vezes você está a cinco minutos a pé de um lugar, mas só consegue chegar lá de ônibus ou trem. (Quesito caminhabilidade, nota… zero!)

5. Falando em trem, os sinais informativos do transporte público em Kuala Lumpur são sempre interessantes… Proibido grudar chiclete, proibido beijar, vagão só para mulheres e crianças, e por aí vai. Dá pra entender muito sobre os costumes quando se observa essa comunicação de dia a dia.

6. O sinal de internet é, em geral, muito ruim. Fica num indo e vindo infinito e complica muito nossa vida na hora de fechar coisas importantes como hospedagem no próximo destino, passagens, pesquisar sobre os pontos de interesse. No meu caso, depois de duas falhas seguidas na compra do bilhete de ônibus pra Butterworth (a caminho de Georgetown/Penang), por causa da instabilidade na rede, tive que ir até a estação local resolver isso. Claro que ela estava depois de onde o judas perdeu a bota e acabei gastando uma tarde de passeio nessa brincadeira;

7. Os malaios são muito educados, tem um sorrisinho tímido de simpatia e, em sua maioria, falam inglês. Pelo menos isso é o que eles dizem quando você vai pedir informação, porque a verdade é que ainda não sei se eles estavam mesmo falando inglês ou outra língua em algumas das minhas tentativas pelas ruas (rs). Bullying a parte (eles também deviam fazer rir do meu inglês, mas esse é o lado bom de não entender nada), prepare o ouvido pra conseguir se comunicar porque o sotaque é bem difícil de entender.

8. Apesar do eficiente transporte público (tem até ônibus de graça), os malaios gostam mesmo é de carro, muitos carros, carros por todas as partes. Resultado: o trânsito é um caos. Se chover, então, vira uma Marginal em sexta-feira véspera de feriado – e choveu nos três dias que passei ali. Ou seja, considere isso caso pretenda se locomover de táxi, especialmente se for ao aeroporto ou afins (o que, vale dizer, é totalmente desnecessário).

9. Aqui rola a mão inglesa… Nada demais até você perceber que também rola mão inglesa nas escadas rolantes, nas calçadas. Então, segue o mantra: mantenha sempre a esquerda.

10. Troque seu dinheiro e livre-se das moedas sempre que puder. Vai te facilitar muito a vida estar com notas de 1, 5, 10, 20.

11. Toda vez que via um anúncio publicitário, pensava na bucha (!) que deve ser fazer propagandas/campanhas de governo. É tanta raça/religião que tem que ser contemplada ali que não deve ser nada, nada fácil. O melhor de tudo é ver outdoors com publicidade de celular, por exemplo, tentando resolver esse “probleminha técnico”: fazer uma versão pra cada etnia? Imagina, coloca 10 modelos segurando o mesmo aparelho de telefone, cada um com seu traje de gala, e tá tudo certo!

Volto daqui dois meses e faço uma segunda rodada com minhas impressões. Será que vão ser as mesmas? Será que meu olhar vai mudar muito depois de passar por países vizinhos? Será que será que será que será? 🙂

2 comentários em “Kuala Lumpur: uma salada mista

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